Estrada Sinuosa * Winding Road

A visibilidade aumentava aos poucos, na estrada sinuosa.

Árvores, rochedos, montes, começavam a aparecer, minuto a minuto cada vez mais reais, cada vez menos as meras formas baças de há pouco.

Música. Nenhum de nós falava. Seria demais. É sensato saber identificar o conceito de “suficiente” e “adequado”.

Era uma ocasião solene.

Um dia de novos votos, novos começos.

Uma simbiose única, lançada aos ventos. Pela primeira vez.

As forças da Natureza pura, combinadas com as nossas. Magníficas como nunca.

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Solstício de Verão

Havia uma árvore ancestral no cimo da colina, ladeando a construção de pedra.

Uma forma abraça a árvore, mãos sentindo o seu coração pulsante.

Até não existir nada para além do som, silêncio, adrenalina, rendição.

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Sonhos de veados vagueando por florestas envoltas em nevoeiro,

enredos selvagens e nocturnos,

nas horas silenciosas banhadas em raios de luar fugidios, entre as dobras das cortinas.

 

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The winding road was increasingly visible.

Trees, rocks, hills, started to appear as more than colourless shapes.

Music. Neither of us talked. It would be too much. And one of the most potent signs of wisdom is identifying the concept of “enough” and “adequate”.

It was a solemn occasion.

A day of new vows, new beginnings.

Unique symbiosis unleashed in the wild. For the first time.

The forces of raw Nature, combined with our forces. More magnificent than ever.

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Summer Solstice

An ancient tree beside the stone building was on top of the hill.

A shape hugs the tree, hands feeling its pulsating heart.

Till there is nothing but sound, silence, adrenaline, surrender.

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Dreams of stags wandering in misty forests,

wild plots running every night in my mind,

in the silent nightly hours bathed in shafts of moonlight escaping through the window drapes.